Emergência climática no Brasil: o ponto de não retorno na Serra da Bocaina
- Luiz Inglês

- 5 de jan.
- 3 min de leitura
Atualizado: 5 de jan.

Neste momento, no alto da serra da Bocaina, em meio à mata-Atlântica, a temperatura atinge 36ºC! Se alguém dissesse isto há alguns anos atrás, seria ridicularizado. Imagina! No meio da mata, na sombra e na brisa, onde passam ribeirões, numa altitude de 800 metros, como é possível?
Pois é, a realidade é crua.
Os rios estão secando. O Xandoca, o ribeirão que cruza minha propriedade, está quase um palmo abaixo de seu nível rotineiro. É verdade que o inverno este ano foi extremamente seco. Mas isto também faz parte de todo esta barafunda que se transformou o clima do planeta. As chuvas ainda não chegaram. O solo está seco, a poeira toma conta de tudo. O plantio da região, milho e feijão, sofre. As vacas dão menos leite. Os animais silvestres buscam a sombra, apenas os calangos ficam se expondo ao sol, morgando nas pedras, já que são animais de sangue frio. O problema é que sabemos – apesar dos negacionistas – o que está ocorrendo. Há uma emergência climática e o Homem é o responsável.
Li que se hoje, agora, neste instante, interrompêssemos todo o tipo de poluição e desmatamento que está causando este descontrole climático, já seria tarde. É como se um carro que estivesse a 100 quilômetros por hora, em direção a um precipício efreasse. Trôp tard como dizem os franceses. Tarde demais. O carro com as rodas travadas, deslizaria por umas dezenas de metros até cair no abismo. Tinha que ter brecado muito antes.
Emergência climática: quando o colapso deixa de ser abstrato
Vamos penar muito ainda, já que ultrapassamos o turning point, não há mais retorno. O que vai acontecer é que haverá mudanças radicais no planeta e aqueles que sobreviverem terão que se virar com o que restará. Não estarei mais aqui para ver o cataclisma mas meu filho e meus futuros netos sim. Isto ainda levará um tempo pois o planeta não tem nossa pressa nem nossa urgência. Mas o caminho está traçado.
O que acontece é que a falácia que “temos que salvar o planeta” é uma grande bobagem. O planeta sabe cuidar de si. Em cinquenta anos, sem humanos, o planeta volta a ser um éden, um paraíso. Temos é que salvar a nós mesmos, os seres humanos. Estes é que estão em perigo de extinção. Mas a ganância é maior do que o sentimento de sobrevivência. É claro que os mais miseráveis, os mais pobres, os desguarnecidos, serão aqueles que tombarão primeiro. Sentirão o impacto da fome, da sede, do frio e do calor. Os poderosos estarão em seus bunkers já preparados desde agora para enfrentar a desastre vindouro. Mas até eles não suportarão a devastação. É uma questão de tempo. Não haverá ninguém para servi-los.
Mas existe um sonho, uma possibilidade. Algo ainda inexistente em nosso radar. Mudanças radicais no comportamento humano podem criar uma variante que solucione este tempo que se torna exíguo. Uma nova forma de combustível não poluente poderá ser adotado universalmente. Uma conscientização inédita – diante da realidade insofismável – também poderá ser abraçada mundialmente. A Inteligência Artificial poderá desenvolver soluções inimagináveis hoje em dia. Talvez uma nova alimentação mundial poderá reverter o desmatamento. Menos pasto mais plantio de grãos...
“A biologia sintética radical, por exemplo, já estuda organismos projetados para sequestrar carbono. O próprio carbono poderá ser usado como insumo transformado diretamente em materiais estruturais, alimentos ou combustíveis sem perdas energéticas relevantes.
Mas a inovação mais provável não é energética, é operacional. Um sistema (IA) regulatório que bloqueie decisões econômicas que ultrapassem limites planetários.
Não deixar a Natureza agir sozinha. Assumir como negligenciamos os recursos
planetários em benefício de poucos em detrimento da maioria. Florestas plantadas para efeito de resfriamento. Corredores ecológicos planejados para chuvas, ventos e rios voadores. Redução do consumo, não por proibição explícita mas por arquitetura de um novo sistema. Produtos intensivos em carbono tornam-se automaticamente mais caros. Status social passaria a ser associado a baixo impacto e não acúmulo”. (ChatGPT)
A reversão real da emergência climática exigirá algo que ainda não dominamos, por exemplo, tratar o planeta não como um recurso mas sim como um organismo vivo.
Mas a vida é uma caixa de surpresas, quem sabe?
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