Árvore não é estorvo. Dá pra conviver com elas
- Lais Amaral Jr
- há 8 horas
- 3 min de leitura

Antes de conclusões precipitadas, adianto que não vou comparar Prefeituras de Rio e São Paulo com relação ao trato com o meio ambiente. Mesmo sem juízo de valor, não creio que o tema seja de interesse geral dos poderes públicos municipais. Me atenho a uma faceta que achei interessante por parte de técnicos da Prefeitura de São Paulo que promoveram ano passado um inventário da arborização urbana. Destacaram a importância das árvores, definidas como elementos essenciais de infraestrutura no meio urbano. As árvores foram denominadas por eles, como uma tecnologia natural. O tal inventário visa mapear cerca de 650 mil árvores e monitorar suas condições.
Ninguém, medianamente sensato se oporia ao que essa tecnologia natural nos oferta, como: ar puro (absorvendo gás carbônico e liberando oxigênio), regulagem da temperatura, quebrando as correntes de calor e fazendo sombra, morada e alimento de várias espécies, redução da poluição sonora, aumento da umidade do ar. Mais: suas raízes evitam a erosão do solo e são importantes para a infiltração da água reduzindo os efeitos das enxurradas. Nas florestas, funcionam na captura de carbono, entre outros benefícios e, sem falar no lado estético, tornando ambientes urbanos mais simpáticos e etc.
Podemos deduzir, sem muitos malabarismos retóricos, que plantar árvores, essa tecnologia valiosa que a natureza nos dá, é fundamental para garantir mais qualidade de vida nas cidades e contribuir para o equilíbrio da vida no planeta. Ou estou exagerando? Claro que um negacionista derrubaria com duas palavras meus parágrafos eivados, na visão deles, de ingenuidade. Afinal, essa turma nega o desequilíbrio climático e não crê que o planeta seja redondo.
Fora tudo isso, o que me levou a tocar no assunto, ‘Arvores’, foram duas notícias veiculadas pela Imprensa carioca recentemente. Uma delas dava conta que moradores do Flamengo fizeram protesto contra a derrubada de 71 árvores no terreno do antigo Colégio Bennett, no bairro. As árvores foram cortadas no fim do ano passado. A outra notícia é que a Associação de Moradores do Grajaú, estava convocando o pessoal do bairro para um ato público contra o corte de 55 árvores no terreno do antigo Clube da Light.
A matança no Flamengo se destina à construção de prédios com 350 apartamentos. O Ministério Público deu um prazo para que o prefeito do Rio, Eduardo Paes embargue a obra do Colégio Bennett.
Já o pessoal do Grajaú que convive há tempos com a antiga Associação Atlética Light, espaço de lazer e práticas esportivas no bairro, teme pelo impacto ambiental provocado pelos quatro blocos com 380 apartamentos, pela capacidade da rede de esgoto da região e pelos reflexos no trânsito local. Eles estão colhendo assinaturas num ‘abaixo assinado Online’, para sensibilizar as autoridades. As incorporadoras informam que atenderam as exigências legais obtendo as consequentes autorizações.
Claro que o texto aqui não é jornalístico e nem tem pretensões de informar sobre o que está acontecendo no cenário, realçando fatos novos envolvendo a questão. Não. São reflexões a partir de realidades que incomodam. Não me parece adequando para o momento de desequilíbrio climático e outros desequilíbrios, derrubar árvores. Há quem diga, “mas as árvores caem nas tempestades e matam pessoas”. Aviões também caem, amigos, e nem por isso eles devem ser eliminados. É uma tarefa para os poderes públicos lidarem. É pra essas coisas, também, que os chefes são eleitos. É vital buscar um consenso não esqueçam do ponto de inflexão. Árvore não é problema.
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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