A vida é maior, mas ainda cabe num versinho antigo
- Lais Amaral Jr.

- há 9 minutos
- 3 min de leitura

Dia desses encontrei num Samba o amigo Sebastião de Oliveira, velho parceiro de passagens políticas. Entre um gole e outro, para molhar a palavra, refletimos sobre a realidade assustadora que atordoa o Brasil, e o mundo. “A eleição deste ano é a mais importante de nossas vidas”. O Tião jogou a frase no ar, sem pretender dramatizar. Foi na simplicidade de quem solta um balão japonês, daqueles que comprávamos nas barraquinhas de fogos nas festas juninas de outros tempos. E a conversa rolou.
A derrota de Victor Orban na Hungria abriu a porteira do nosso papo. Mas nem Tchum! O que em outro momento poderia ser uma notícia alvissareira, não extraiu da gente um nada de alento, de otimismo. E fomos elencando, na rapidez de uma tabelinha Pele-Coutinho, algumas constatações que justificam nossa apreensão. Tais como: ‘Laranjão’ ameaçando acabar com a civilização persa, pesquisas eleitorais preocupantes e por aí vai.
A concentração de poder e dinheiro se intensifica para pouquíssimos e a maioria dos cidadãos tem a vida em declínio, despencando de qualidade, empobrecendo. Mas no que aparenta ser uma imensa contradição, seguem elegendo psicopatas, sociopatas, genocidas, uma gente abjeta que só aceita e se confunde com os donos do poder econômico e, portando, se lixa para a maioria pobre.
Nossa apreensão convergiu, consensualmente para o exemplo próximo e gigantesco da decadência política nesses tempos sombrios: o drama da vizinha Argentina. O país, sempre elogiado por estar na vanguarda sob vários aspectos sócio-políticos, tem agora no seu comando uma excrescência como Javier Miley. Tião destacou que o voto da juventude foi determinante para colocar essa tralha no poder e sucatear a pátria dos nossos hermanos.
Na minha maneira de ver, o amigo acertou em quase cem por cento. A juventude, por ser o alicerce das gerações que chegam para mexer com a vida, são o alvo principal. Mas boa parte das pessoas simples, também sofre com essa espécie de lavagem cerebral travestida de informação, de novidades tecnológicas e o repúdio à Politica Verdadeira, imposto pelas forças mandates. E onde vai dar isso?
Vivemos uma transição, certamente. Vejo o mundo atual como aprendemos naquela velha imagem sobre o conceito de adolescência: “Não é mais criança, mas ainda não é adulto”. O que será o mundo depois da transição? O que será esse adulto?
Repeli o vazio que me rondava e fui dar uma olhada na CRIATIVOS. Os cronistas e articulistas da nossa revista digital já mostraram que há vida inteligente que pode interferir positivamente nessa transição. Li a crônica do inesgotável Leo Viana e seus personagens do dia a dia. Nosso retrato. Ou o apelo do professor José Luiz Alqueres que cobra ao Rio de Janeiro que assuma sua identidade histórica e cultural, a partir de suas fortes tradições e erga, por que não? o ‘Templo do Samba’.
Louvei e sorri comigo mesmo, em silêncio, com prazer pela forra da poeta Sonali Maria, amiga dos verdes tempos na Baixada, ao ditador estadunidense quando ela destacou o bardo persa, Omar Khayyam. Colombo ainda estava a séculos de nascer e descobrir a América e o poeta persa já distribuía humanidades em seus versos. Valeu Sonali! E um brinde direto do Rubaiyat: Vinho
Bebe vinho! Receberás
Com ele a vida eterna. Vinho!
Único filtro que te pode
Restituir a mocidade.
Mocidade! A estação divina
Das rosas e dos vinhos e dos
Amigos sinceros! Desfruta
Esse instante fugaz que é a vida.
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade
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José Luiz Alquéres: "Templo do Samba"?
Sonali Maria: "o bardo persa"
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