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Como transpor a cultura digital para o museu? Curadores de mostra sobre memes debatem processo criativo no CCBB BH



Exposição Meme-Foto-Fernanda-Lopes
Exposição Meme-Foto-Fernanda-Lopes


O fenômeno da memeficação como termômetro político, social e cultural do país ganha as telas, as paredes e, agora, as mesas de debate. No próximo dia 30 de maio, às 19h, o Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (CCBB BH) sedia um encontro aberto com os curadores Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, mentes por trás da exposição "MEME: no Br@sil da memeficação".


O evento, que conta com intérprete de Libras e tem entrada franca, propõe desasnar os bastidores de uma das mostras mais visitadas da temporada.


Com cerca de 800 obras ocupando o pátio e o terceiro andar da instituição, o projeto desafia a lógica tradicional dos espaços museológicos ao colocar em simbiose a chamada "alta cultura" e as manifestações da cultura de massa digital.


No bate-papo, os pesquisadores pretendem abordar as principais provocações que guiaram o trabalho: de que forma os memes operam não apenas como piadas efêmeras, mas como processos históricos? E como transportar essa dinâmica de rede para a tridimensionalidade física de uma galeria?


Clarissa-Diniz--Foto-Jorge-Silvestre
Clarissa-Diniz--Foto-Jorge-Silvestre

A fusão entre o cubo branco e a timeline

A proposta curatorial, realizada em colaboração com o perfil @newmemeseum, destaca-se justamente pela diluição de fronteiras estéticas. O acervo da exposição coloca lado a lado nomes históricos e contemporâneos das artes visuais brasileiras — como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty e Nelson Leirner — e produtores de conteúdo nativos da internet, a exemplo de Blogueirinha, Porta dos Fundos, Melted Vídeos e Greengo Dictionary.


Essa costura se distribui por cinco núcleos temáticos que vão desde a apropriação da linguagem cotidiana até o uso do humor como ferramenta de combate à desinformação, materializados em suportes diversos que incluem neons, videoinstalações, cenografia imersiva e experiências interativas.


O corpo curatorial traz bagagens complementares para sustentar o debate. Clarissa Diniz, escritora e professora da Escola de Belas Artes da UFRJ com duas décadas de trajetória institucional, foi pioneira na introdução de memes no circuito de grandes exposições nacionais. Já Ismael Monticelli, artista multimídia e doutor em Arte e Cultura Contemporânea, centra sua investigação artística exatamente nas fricções entre a internet, as dinâmicas das redes sociais e o espaço institucional.


O meme como ativo da economia criativa

Integrado ao Circuito Liberdade, o CCBB BH adota a discussão não apenas como entretenimento, mas como reflexão sobre os rumos da economia criativa e da tecnologia aplicada à cultura.


O debate sobre o meme ultrapassa o campo do anedótico e se firma como campo de análise da comunicação contemporânea e de novas cadeias de produção simbólica.


A exposição "MEME: no Br@sil da memeficação" permanece em cartaz na capital mineira até o dia 22 de junho. Na sequência, o projeto — que é produzido pela Patuá Produções com patrocínio do Banco do Brasil e da BB Asset — segue para o Rio de Janeiro, onde cumpre temporada entre agosto e novembro de 2026.



Serviço

  • Evento: Encontro com os curadores de "MEME: no Br@sil da memeficação" (Clarissa Diniz e Ismael Monticelli)

  • Data e Horário: 30 de maio, sábado, às 19h

  • Local: Teatro I do CCBB BH (Praça da Liberdade, 450, Funcionários – Belo Horizonte/MG)

  • Duração: 60 minutos

  • Classificação indicativa: 12 anos

  • Acesso: Entrada gratuita, mediante retirada prévia de ingressos pelo site ccbb.com.br/bh ou diretamente na bilheteria física da instituição.

 

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