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CORRUPTOCRACIA


DEVEMOS a Platão e Aristoteles as primeiras sistematizações dos regimes políticos então conhecidos. Eles definiram os termos de monarquia, aristocracia, oligarquia, democracia bem como os de tirania, autocracia e fizeram uma grande contribuição à ciência política.


Aquela análise se baseou na diversidade dos regimes políticos das centenas de cidades-estado que se distribuíam pela costa do Mediterrâneo. Seus estudos apontavam que, na prática, a democracia era o mais viável dos sistemas desejáveis, embora vulnerável ao populismo e à corrupção.


Descobertas recentes em escavações na Grécia confirmam que a eleição anual do strategos de Atenas, o berço da democracia, já mostrava claros sinais de manipulação. Foram encontradas centenas de conchas com o nome escrito com a mesma grafia de um determinado candidato. A concha era a cédula usualmente empregada, onde cada eleitor deveria escrever o nome do seu candidato.


O grande estadista de Atenas, Péricles, venceu 29 das 30 eleições sucessivas que disputou, morrendo de uma epidemia quando exercia o poder. Daquela época para hoje a vulnerabilidade da democracia deixou de ser um problema apenas na seleção do governante. A perpetuação no poder passou a ser o objetivo de práticas construídas ao longo do exercício de mandatos.


De início, pode-se dizer, eram práticas virtuosas voltadas à conquista de votos futuros tendo por base uma atuação administrativa ou política correta. Com o tempo porém, as administrações passaram a utilizar os meios públicos, sejam eles os financeiros ou os ligados à força ou exercício discricionário do poder para nele se perpetuarem. Hoje em dia no Brasil, talvez estejamos assistindo a uma situação quase limite no domínio da corrupção em todas atividades públicas e privadas.


Há alguns anos grandes movimentos denunciaram a corrupção de empresas estatais e entidades públicas, apontando, ou melhor querendo induzir o pensamento geral para as virtudes serem uma espécie de monopólio da iniciativa privada. Com isso, ao mesmo tempo que corretamente privatizou-se várias empresas estatais, lamentavelmente desmoralizou-se um grande número de instituições do Estado.


Chegamos assim ao paradoxo de possuir uma corrupção que se espraiou tanto no segmento privado quanto no publico, incapaz de coibi-lá de forma eficaz. Parece mesmo que as grandes instituições públicas, capturadas por grupos políticos de objetivos deletérios, incentivam via obtenção de vantagens pessoais, nepotismo, extorsão e práticas similares, a criação de uma CORRUPTOCRACIA.


Platão e Aristoteles não chegaram ao ponto ou à criatividade para descrever esse novo sistema, certamente pelo problema naquela ocasião não ter atingido os limites que hoje estamos assistindo.É triste constatar que a única coisa à qual se aplica o termo organizado não é o Estado nem o Sistema Económico e sim as atividades criminosas dos mais variados matizes que proliferam sob o rótulo de CRIME ORGANIZADO.


Como a democracia continua sendo o pior dos regimes, com exceção de todos os outros, vamos ter esperança que os eleitores, este ano, caprichem na escolha de candidatos honestos que possam dar início a uma reversão da degradação moral da vida pública que estamos presenciando.


Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade

 

Leia outros artigos de José Luiz Alquéres no portal CRIATIVOS!


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