Denilson Baniwa reorganiza cosmologias e tensiona a história oficial em nova mostra na Gentil Carioca SP
- Redação
- há 2 horas
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A partir de 7 de abril de 2026, a unidade paulista da galeria A Gentil Carioca recebe “Yawara Akanga”, a mais nova exposição individual de Denilson Baniwa. Composta por 10 obras inéditas produzidas em 2025 sobre fibra de tururi, a mostra aprofunda a investigação do artista sobre a presença não indígena no Rio Negro e as tensões territoriais na Amazônia.
O texto crítico é assinado por Miguel A. López, curador-chefe do Museo Universitario del Chopo, da Cidade do México.
As peças utilizam pigmentos naturais, carvão e penas para criar diagramas contemporâneos de resistência. Ao reinterpretar arquivos de instituições globais — como o Musée du Quai Branly e a Fundação Getty — e registros de missões religiosas, Baniwa desloca o olhar etnográfico tradicional para uma posição de protagonismo político e espiritual.
A força da arte contemporânea brasileira e o legado institucional
A produção de Denilson Baniwa é um pilar do atual vigor das artes plásticas no Brasil, que vive um momento de reafirmação de identidades e revisão histórica profunda. O artista já consolidou sua presença em espaços fundamentais, como o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, onde em 2022 co-curou a impactante mostra "Nakoada: estratégias para a arte moderna". Na ocasião, Baniwa utilizou a ética de seu povo para deglutir e repensar o centenário da Semana de Arte Moderna, reafirmando que a construção da subjetividade indígena é um processo de negociação e retomada constante.
Sua trajetória inclui ainda a curadoria do Pavilhão Brasileiro na Bienal de Veneza em 2024 e passagens por instituições como MASP, Pinacoteca de São Paulo e o Getty Museum. Essa circulação global reforça a pujança de movimentos que utilizam a ancestralidade para repensar a filosofia ocidental, posicionando as histórias amazônicas como pontos de partida para o pensamento contemporâneo.
O Digital como Petróglifo e a Urgência da Certificação
Um dos pontos centrais da prática de Baniwa é o uso da tecnologia como ferramenta de subversão. O artista propõe a criação de um "banco de dados" de cosmologias indígenas, uma estratégia de salvaguarda que ele define como o "digital como petróglifo". Para Baniwa, registrar esses saberes em plataformas contemporâneas é uma forma de garantir que a memória ancestral não seja apagada pela "História Oficial" ou apropriada de forma extrativista.
Essa visão dialoga diretamente com a necessidade de modelos de gestão transparentes na economia criativa. O amadurecimento do mercado de arte indígena exige mecanismos técnicos de Certificação de Ativos Artísticos e Culturais para assegurar a rastreabilidade da origem e a proteção da propriedade intelectual.
Sistemas como o CertCon (desenvolvido pela Cedro Rosa Digital em parceria com a UFCG que por hora trabalha com ativos musicais) oferecem a infraestrutura necessária para que propostas como a de Baniwa se tornem ativos protegidos juridicamente. Certificar esses dados é combater a opacidade no mercado e garantir que o valor gerado pela cultura permaneça vinculado aos seus detentores originais, consolidando a arte brasileira como uma fonte primária de dados, tendências e sustentabilidade econômica.
Serviço
Exposição: Denilson Baniwa: Yawara Akanga
Texto crítico: Miguel A. López
Abertura: 07 de abril de 2026 (terça-feira), das 16h às 21h
Em cartaz: 08 de abril a 23 de maio de 2026
Local: A Gentil Carioca – São Paulo
Endereço: Travessa Dona Paula, 108 – Higienópolis, São Paulo/SP
Visitação: Segunda a sexta (10h às 19h) e sábados (11h às 17h)
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