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Economia Criativa Verde: tecnologia transforma cultura em renda sustentável

José Luiz Alquéres, foto de seu artigo de 2021
José Luiz Alquéres, foto de seu artigo de 2021


Em 2021, quando José Luiz Alquéres publicou Economia Criativa Verde no Portal CRIATIVOS!, o debate ambiental brasileiro ainda buscava traduzir urgência climática em estratégia econômica concreta. O texto partia de uma metáfora científica clássica — a experiência de Joseph Priestley com plantas, ratos e oxigênio — para sustentar uma tese central: não há desenvolvimento sustentável possível sem recomposição dos ciclos vitais da natureza.


Cinco anos depois, essa intuição revelou-se correta.


O mundo avançou da discussão ambiental abstrata para um novo campo econômico mensurável: a economia de baixo carbono associada à economia criativa, ao conhecimento aplicado e aos ativos intangíveis. Não se trata mais apenas de preservar florestas ou reduzir emissões, mas de estruturar cadeias produtivas capazes de gerar emprego, renda, inovação e valor simbólico, sem ampliar a pegada ambiental.


Do verde ambiental ao verde econômico

A economia verde descrita em 2021 estava fortemente ancorada em energia, urbanismo, habitação e reflorestamento. Desde então, um novo eixo ganhou centralidade: os setores criativos e culturais como motores de transição sustentável.


Dados recentes mostram que a economia criativa responde hoje por cerca de 3,6% do PIB brasileiro, com forte concentração no Sudeste — especialmente no Rio de Janeiro, que reúne universidades, centros de pesquisa, produção cultural e capital simbólico. O desafio deixou de ser vocacional e passou a ser estrutural: como transformar criatividade em renda estável, escalável e formalizada.


Nesse ponto, o debate ambiental encontra o debate tecnológico.


Ativos intangíveis, tecnologia e renda criativa

Se em 2021 o foco estava na substituição de combustíveis fósseis e na requalificação urbana, hoje a fronteira decisiva está na gestão dos ativos intangíveis — obras culturais, direitos autorais, dados, conhecimento e reputação.


Esses ativos, no campo dos povos originários, das populações quilombolas e das periferias, são contraditoriamente fundamentais e invisíveis ao mercado como geradores de renda.

A economia criativa só se torna sustentável quando resolve três gargalos históricos:


  1. Certificação (quem é autor, quem é titular, quem deve receber)

  2. Conexão com mercados (licenciamento, uso comercial, circulação internacional)

  3. Transparência tecnológica (dados confiáveis, rastreabilidade e pagamento)

Sem isso, a criatividade permanece abundante, mas precária ou, pior, sequestrada e explorada por terceiros, sem a menor retribuição aos criadores originais.


Continuidade, não ruptura

O texto de 2021 permanece atual justamente porque antecipa essa convergência. Quando Alquéres afirma que “a economia verde tem que ser inventada no plano das aplicações comerciais”, ele aponta para o que hoje se consolida: a integração entre ciência, tecnologia, cultura e mercado.


A diferença é que, agora, essa integração deixou de ser hipótese e passou a ser campo de disputa estratégica entre países, cidades e blocos econômicos. Quem dominar a gestão dos intangíveis — culturais, criativos e tecnológicos — dominará também os empregos do futuro.


Um debate que segue aberto

Revisitar Economia Criativa Verde não é um exercício de nostalgia editorial, mas de atualização crítica. A pergunta permanece a mesma, embora em outro patamar: queremos sobreviver como os ratos isolados do experimento de Priestley ou prosperar como sistemas integrados?

Hoje sabemos que a resposta passa menos pela extração e mais pela inteligência aplicada.


Study case: Cedro Rosa


Certifica Som e Conecta Som da Cedro Rosa Digital — sistemas que registram corretamente obras e fonogramas, organizam metadados e conectam criadores a mercados de audiovisual, publicidade, games e streaming.


Essa infraestrutura transforma cultura em ativo econômico de baixo carbono, remunerando músicos, compositores e produtores sem que precisem sair de suas comunidades.


“Este texto integra o pilar Economia Criativa, Cultura e Tecnologia Aplicada do Portal CRIATIVOS!, reforçando o compromisso com a curadoria de teses e a análise de mercado de longo prazo.”



Referências e links adicionais:


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