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Encontros e Desencontros


David Gertner, Ph.D.
David Gertner, Ph.D.


Há encontros que parecem acidente.

E há encontros que, mais tarde, reconhecemos como destino.


Entre um e outro, desenha-se a vida.


Encontrar alguém — uma pessoa, uma ideia, uma cidade — é sempre uma interrupção no fluxo previsível dos dias. Algo se desloca. O eixo muda alguns milímetros. Às vezes não percebemos no instante exato. Só muito depois entendemos que aquele momento foi uma curva decisiva.


Os encontros raramente são simétricos.

O que para um é revelação, para o outro pode ser apenas circunstância.

E, ainda assim, ambos seguem alterados.


Há encontros silenciosos. Uma frase lida ao acaso que atravessa décadas. Um olhar demorado que nunca se esquece. Um professor, um amigo, um amor que chega quando não sabíamos que precisávamos. Outros passam como estações: param, fazem barulho, partem — e deixam apenas o eco.


Todo encontro carrega, em si, a possibilidade do desencontro.


Não como tragédia inevitável, mas como parte da condição humana. Porque o tempo não se detém. Porque mudamos. Porque aquilo que éramos quando nos conhecemos já não coincide com o que somos agora.


Os desencontros raramente acontecem de forma abrupta. Eles começam nos detalhes.

Uma expectativa não dita.

Uma conversa adiada.

Uma distância que cresce no silêncio.


E, no entanto, nem todo desencontro é perda. Alguns são libertação. Há vínculos que cumprem sua função. Há relações que florescem apenas por um tempo. Há ideias que nos sustentam numa fase da vida e, depois, precisam partir para que possamos crescer.


Somos feitos de encontros sucessivos — com pessoas, com livros, com lugares, com versões de nós mesmos.


Também nos desencontramos de quem fomos. Abandonamos certezas. Revemos convicções. Perdemos sonhos. E ganhamos outros. O que parecia definitivo revela-se provisório. O que julgávamos fracasso torna-se aprendizado.


Talvez maturidade não seja a capacidade de evitar rupturas, mas a coragem de atravessá-las sem endurecer.


Guardar o que foi verdadeiro.

Agradecer o que foi suficiente.

Soltar o que já não cabe.


Alguns reencontros são milagres discretos. Outros revelam apenas que a memória era maior que a realidade. E tudo bem. Nem todo retorno é continuidade; às vezes é apenas uma despedida que ficou pendente.


No fundo, viver é aceitar esse movimento constante de aproximação e afastamento.


Encontrar alguém é sempre um risco.

Mas não se aproximar é uma forma de ausência antecipada.


Entre encontros e desencontros, seguimos aprendendo que nada é totalmente nosso — nem as pessoas, nem as certezas, nem o tempo. O que temos é o instante compartilhado. E ele, por si só, já é milagre suficiente.


Porque cada vez que algo se desfaz, abre-se um espaço.

E é nesse espaço — quase sempre inesperado — que algo novo pode nascer.



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David Gertner, Ph.D.

Nascido no Brasil e radicado há mais de três décadas nos Estados Unidos, é professor aposentado, escritor e ensaísta. Doutor pela Northwestern University, dedica-se a refletir sobre identidade, memória, ética, tempo, silêncio, tecnologia e a condição humana. É autor de IA e Eu: A Inesperada Jornada de Liora e David, disponível na Amazon, e de dois novos livros com lançamento previsto para 2026. Escreve regularmente para diferentes plataformas digitais.



David Gertner, Ph.D.

Nascido no Brasil, filho de imigrantes judeus do leste europeu e radicado há mais de 30 anos nos Estados Unidos, é professor aposentado, escritor e ensaísta. Doutor pela Northwestern University, dedica-se a refletir sobre identidade, memória, ética, tempo e a condição humana. É autor de IA e Eu: A Inesperada Jornada de Liora e David, disponível na Amazon, e de A Sombra da Depressão – Rompendo o Silêncio, Encontrando a Luz e O Silêncio e o Tempo, ambos previstos para lançamento em 2026.

Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade





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