Na linha do tempo: os 10 maiores mercados da indústria fonográfica no mundo
- Redação

- 18 de jan.
- 3 min de leitura
Redação | CRIATIVOS! Publicado originalmente em 29 de março de 2023 (no ar, sem edição)
Atualizado em janeiro de 2026
Quando este texto foi publicado, em março de 2023, a indústria fonográfica global atravessava um momento de inflexão. Após décadas de crise, pirataria e reestruturação, os dados indicavam um setor novamente em expansão, impulsionado pelo streaming e por novos mercados emergentes.
Passados quase três anos, os números mais recentes confirmam: não indicação de fôlego curto, mas uma transformação estrutural em curso.
Segundo a IFPI, a receita global da música gravada atingiu US$ 26,2 bilhões em 2023, com crescimento anual de 9%. Já os dados consolidados mais recentes, referentes a 2024, apontam que o setor alcançou US$ 29,6 bilhões, mantendo crescimento positivo pelo décimo ano consecutivo, ainda que em ritmo mais moderado (+4,8%). Trata-se de um mercado que amadurece sem estagnar.
Os 10 maiores mercados: o que mudou e o que permanece
Em 2023, os dez maiores mercados fonográficos do mundo eram:
Estados Unidos
Japão
Reino Unido
Alemanha
China
França
Coreia do Sul
Canadá
Brasil
Austrália
Os dados mais recentes mantêm a estrutura central desse ranking, mas revelam um deslocamento importante: o México passa a integrar o Top 10, substituindo a Austrália. O Brasil permanece entre os dez maiores mercados do mundo, consolidando sua posição não como exceção, mas como parte estrutural da economia fonográfica global.
Essa estabilidade no topo, combinada com mudanças na base, é um sinal claro: o crescimento agora vem das bordas do sistema, não apenas dos mercados tradicionais.
Streaming: de motor de retomada a infraestrutura dominante
Em 2023, o streaming já era responsável pela maior parte da receita global. Em 2024, esse domínio se consolida: aproximadamente 69% de toda a receita da música gravada no mundo vem de plataformas digitais, com mais de 750 milhões de assinantes pagos.
O dado mais relevante não é apenas o volume, mas a mudança de natureza do consumo. O streaming deixou de ser uma tecnologia “disruptiva” para se tornar infraestrutura básica da indústria musical, alterando profundamente:
os modelos de remuneração,
as estratégias de lançamento,
o papel do catálogo,
e o valor do licenciamento.
O peso crescente dos mercados emergentes
Em 2023, a América Latina já havia chamado atenção com crescimento de 25,9%. Os dados mais recentes confirmam a tendência: a região segue entre as que mais crescem no mundo, com taxas acima da média global.
Outras regiões reforçam esse deslocamento:
Oriente Médio e Norte da África (MENA) e África Subsaariana apresentam crescimentos acima de 20%, ainda que partindo de bases menores.
A Ásia, impulsionada pela China, mantém expansão relevante, mesmo com a estagnação relativa do mercado japonês físico.
Estados Unidos e Europa seguem dominantes em volume absoluto, mas com crescimento mais lento — típico de mercados maduros.
O resultado é um mapa fonográfico menos concentrado, mais distribuído e mais sensível a dinâmicas culturais locais.
Economia criativa: música como vetor estruturante
Esses dados dialogam diretamente com um movimento mais amplo da economia criativa, que vem ampliando sua participação no PIB de diversos países, inclusive no Brasil. A música deixa de ser apenas produto cultural para atuar como:
insumo para audiovisual, games, publicidade e plataformas digitais,
ativo estratégico em políticas culturais e de desenvolvimento,
elemento central nas cadeias de valor do entretenimento e da tecnologia.
Nesse contexto, cresce a importância de temas como gestão de direitos autorais, certificação de obras, transparência de dados e licenciamento, assuntos que passam a ser estruturais para a sustentabilidade do setor.
Estudos de caso já publicados no CRIATIVOS! mostram como iniciativas voltadas à organização, certificação e profissionalização do repertório musical dialogam com essa nova fase da indústria.
Conclusão: uma indústria em transição longa — e consistente
A leitura combinada dos dados de 2023 e dos números mais recentes desmonta uma ideia recorrente: a de que a recuperação da música seria apenas conjuntural. O que se observa é o contrário.
A indústria fonográfica global:
cresce há uma década,
se apoia em bases digitais consolidadas,
incorpora novos territórios econômicos,
e se integra de forma definitiva à economia criativa contemporânea.
Mais do que uma “volta por cima”, trata-se de uma mudança de paradigma, ainda em curso — e com efeitos que ultrapassam o mercado musical, alcançando cultura, tecnologia e desenvolvimento econômico.
Cultura e Sociedade(com conexão transversal a Economia Criativa e Tecnologia Aplicada)
Matéria original: os 10 maiores mercados da indústria fonográfica no mundo (2023)


















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