PARA CONSERTAR EMPRESAS, O RIO DE JANEIRO E O BRASIL
- José Luiz Alquéres
- há 5 horas
- 3 min de leitura

O Brasil atravessa uma crise profunda de natureza econômica, social e política. Em diferentes esferas da vida nacional, multiplicam-se exemplos de estruturas que entram em colapso não apenas por insuficiência de recursos, mas sobretudo por falhas de gestão, fragilidade institucional e deficiência de comando.
No setor privado, um dos casos mais emblemáticos foi o de Lojas Americanas, tradicional rede varejista com forte presença no Rio de Janeiro e em diversos estados do país. Nas décadas de 1940 e 1950, a empresa revolucionou o varejo brasileiro ao introduzir um modelo moderno de autosserviço, reunindo lanchonete e ampla variedade de produtos em um mesmo espaço comercial.
Ao longo do tempo, a companhia expandiu-se intensamente e passou a depender de um corpo técnico que, ao conquistar confiança pelos resultados apresentados, recebeu crescente autonomia administrativa. O colapso ocorreu quando veio à tona uma dívida bilionária associada a práticas contábeis baseadas na postergação de pagamentos a fornecedores e operações financeiras que comprometeram a consistência patrimonial da empresa.
A crise provocou forte impacto no mercado e gerou investigações. Posteriormente, com a retomada mais direta da gestão pelos sócios controladores, a empresa recebeu aportes bilionários, reorganizou sua estrutura financeira e iniciou processo consistente de recuperação, aproximando-se agora do encerramento da recuperação judicial.
O caso demonstra que crises graves podem ser revertidas quando há correção administrativa e responsabilidade gerencial.
No setor público, porém, a complexidade é maior. No Rio de Janeiro, a crise ultrapassa a dimensão financeira: envolve dificuldades administrativas profundas, elevado volume de compromissos permanentes e forte peso previdenciário acumulado historicamente desde a transferência da capital federal para Brasília.
Nesse ambiente, causou inquietação a revelação de investimentos significativos realizados no Banco Master, em meio a questionamentos sobre sustentabilidade financeira e relações incomuns com diferentes esferas de poder.
No plano federal, outro episódio recente revelou fragilidade semelhante: descontos indevidos em benefícios pagos a aposentados pelo INSS. Milhões de aposentados sofreram abatimentos mensais sem autorização formal. Mesmo pequenos individualmente, esses descontos alcançam escala gigantesca: vinte reais descontados de quatro milhões de beneficiários representam cerca de oitenta milhões de reais por mês, quase um bilhão por ano.
Há indícios de que essa prática tenha perdurado por vários anos. O caso revela não apenas ação criminosa organizada, mas também deficiência grave de fiscalização e ausência de controles eficazes.
Hoje existem instrumentos técnicos suficientes para prevenir distorções dessa natureza: auditorias digitais, cruzamento automatizado de dados, algoritmos de consistência financeira e rastreamento em tempo real. A ausência de uso efetivo desses recursos remete ao problema central da administração pública: a qualidade do comando.
Uma fórmula clássica de reorganização institucional continua atual: eliminar distorções, fortalecer instituições e governar com os melhores.
Eliminar distorções significa interromper improvisações, padronizar procedimentos e restabelecer cadeias claras de responsabilidade.
Fortalecer instituições significa reconhecer o valor de estruturas como Correios, Justiça Federal e Banco Central do Brasil, que preservam quadros técnicos qualificados apesar de chefias frequentemente comprometidas por critérios políticos frágeis.
Governar com os melhores significa escolher pessoas cuja principal lealdade esteja vinculada à honestidade pública, à responsabilidade administrativa e à integridade moral.
Não existem milagres. Nenhuma organização sólida — pública ou privada — se constrói sobre improvisação, oportunismo ou desordem. Estruturas fortes dependem de pessoas de caráter, boa formação e compromisso com a legalidade.
O Brasil dispõe de milhões de pessoas com essas qualificações. O verdadeiro desafio está em reconhecê-las, valorizá-las e confiar-lhes responsabilidades decisivas.
A reconstrução nacional depende, antes de tudo, de escolhas melhores, que devem começar naqueles em votaremos nas próximas eleições. Chega de repetir erros. Vamos a nomes experientes e ilibados.
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