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QUE NEGÓCIO É ESSE?

 

Aercio Barbosa de Oliveira.

 

Quase por ofício levo a vida a perguntar. Sou mesmo um perguntador. E me parece que de todas as perguntas, a que tem maior variedade de respostas, e variedade no tamanho das respostas, é a pergunta “O que é a vida?”. 


Isso mesmo, a resposta pode ser dada com uma quantidade variável de palavras.Ela pode caber naquele espaço de aplicativos com limite de caracteres para ser publicada. Pode ocupar centenas de páginas de uma publicação dividida em tomos. Pode ocupar um longo tempo em horas ou até em dias.


É um tipo de pergunta que qualquer ser humano está habilitado a responder. Não importa se abraça labuta ou ócio. Saber ler e escrever não é condição necessária. Velho ou novo, basta pensar, raso ou profundo, a reposta pode ser proferida. Não precisa de ousadia, desinibição, instrução, basta querer tratar do assunto.


Poeta, cientista, matuto, malandro, e tanto faz o sexo, a orientação sexual, a cor da pele. Todo mundo, se quiser, dá uma resposta. Uma pergunta, com cinco palavras, uma locução curta, mas desde sempre, carrega o signo da equivocidade.


Eu, por exemplo, já pensei em várias repostas. E sempre as acho insuficientes, impróprias. Nunca estou satisfeito.


Diante dela, às vezes fico insone, inibido e mais curioso. Por que uns dão respostas curtas e outros, longas? Será que é porque a vida é feita de muita coisa? Tem a gente, mas tem bichos, tem água, doce e salgada; tem aquilo que conseguimos controlar e aquilo que é incontrolável.

A vida é feita de bombas, de mato, de cópulas, de terror, de acasos. De vida e de morte, a vida tem tudo dentro dela. O que respira, o que se reproduz, o que é móvel, o que é imóvel e o que não respira. São tantas respostas. A vida pode ser o conjunto de todas as coisas, inclusive da própria vida. 


A vida, como algo absoluto, nunca se curva a morte, pois esta é parte da vida. Está aí, o absoluto. Ninguém consegue ficar fora da vida. A infinitude da vida sempre abriga a finitude. Finitude e infinitude, sempre alimentando a vida.


E nós, imersos na vida, cheios dela, a vasculhamos para encontrar o sentido da existência, que ela sempre o esconde. A gente tenta embelezar a vida, a vida é cega. A gente traz com a gente o horror, o deleite e a vida segue. Não está nem aí para o bárbaro ou para o fraterno. O paradoxo, o acaso, a razão, os afetos a vida os abarcam sem se interromper. A vida só quer viver, indiferente aos nossos desejos, encantos e realizações. A vida não moraliza.


Será mesmo que a vida carrega uma ordem que se alimenta da desordem? Ouserá que a vida é só desordem e inventamos teorias para transitarmos em sua desordem?Ou é mesmo “um conto tonto dito por um idiota, repleto de som e fúria, significando nada”?  


Alimentamo-nos de ar e crenças, inventamos até coisas invisíveis, para conter a angústia que acompanha o viver. Procuramos motivos para chorar de rir. Chorar para chorar, rir para rir, viver para viver!

 Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade


Leia outros artigos de  Aercio Barbosa de Oliveira no portal CRIATIVOS!


Veja entrevista de Aercio Brbosa de Oliveira.


 

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