Uma Arte, de Elizabeth Bishop
- Jorge Pontual

- 30 de out. de 2020
- 1 min de leitura
Atualizado: 7 de jan.

foto: Jorge Pontual - Coleção particular
Elizabeth Bishop (1911–1979) é uma das poetas mais influentes da literatura
de língua inglesa. “Uma Arte” é um de seus poemas mais conhecidos,
abordando a perda como experiência cotidiana e existencial.
Uma Arte A arte da perda é fácil ter; por tanta coisa cheia de intenção de ser perdida não dá pra sofrer. Perca algo todo dia. Perder chaves aceite, junto com a aflição. A arte da perda é fácil ter. Treine perder muito sem se deter: lugares, e nomes, a comichão de viajar. Nada fará sofrer. Perdi jóias da mamãe. E dizer que perdi casas que amei de paixão. A arte da perda é fácil ter. Perdi duas cidades. E o prazer de um continente na palma da mão. Sinto falta mas não dá pra sofrer. - Até perder você (a voz, o ser que eu amo) não devia mentir. Não, a arte da perda se pode ter embora pareça (diga!) sofrer.
Poema de Elizabeth Bishop, em tradução de Jorge Pontual, jornalista brasileiro e correspondente internacional da TV Globo.
Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade.


















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