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SOBRE A FOLHA

Victor Loureiro
Victor Loureiro

     A folha, com seu gesto de superfície fina, não tem a intenção de flutuar e, por isso mesmo, flutua. 


     A flor do bougainville não é uma flor, mas a ideia de flor que temos sobre essa falsa flor é o que fica. Essa falsa mentira é uma verdade tão profunda, que faz da não-flor do bougainville a flor mais atraente. 


    Que sentido tem tudo isso que parece que foi feito de propósito por algum designer inteligente que rege tudo? Pode ser que ele exista, mas, se esse escultor de tudo soube esculpir nosso olhar e nossa impressão da vida, com certeza não esteve, não está, nem estará preocupado com isso. 

   

Enquanto escrevi essas palavras anteriores sobre as divagações a respeito do sentido da vida, a folha continuou flutuando ao vento sem pretensão alguma para que isso parecesse belo, ou intrigante. Apenas flutua. Se o sentido da vida estivesse ligado às impressões humanas sobre ele mesma, nada seria alimento poético dos versos que ainda não foram escritos. 


    Os adereços carnavalescos em Olinda, os carros alegóricos da Sapucaí, as xilos das capas dos livretos de versos de Cordel flutuam como a folha no vento agarradas aos ramos de nossa árvore cultural, de nossa constituição anímica, de nossa intenção de flutuar. 


    E quanto a esse carimbo colado feito decalque na nossa alma, ao qual chamamos de amor? Teria uma intencionalidade determinada em parecer belo? Ou só está ali, sobrevivendo, lutando pela vida, alterando nosso pulso, lenço nos nossos olhos secos, injetando areia nos músculos das nossas pernas bambas, embargando fonemas de uma fala engasgada?


   Uns dizem que sofre quem ama, outros afirmam que o verbo feliz age sem conjugação quando o amor bagunça nossa classificação sintática, onde os adjetivos não são suficientes, onde as vírgulas e pausas são extintos da língua, onde o que se expressa não precisa de som, de palavra.


Só existe!


Este trecho inclui a discussão entre poetas e filósofos sobre a vida.

QUE NEGÓCIO É ESSE? de Aercio Barbosa de Oliveira.

Entre o Útero e o Caixão, de Jorge Cardozo


Este texto integra o pilar Cultura e Sociedade

     

    

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1 comentário


Jonathan. Hall.
Jonathan. Hall.
22 de abr.

Reading your post helped me see how creative projects can explore simple things like a leaf and make them feel interesting through visuals and meaning. It reminded me of when I studied nature themes in a class project and felt inspired by small details in plants and art. I once used assignment help for CIPD students while learning about workplace creativity and communication topics, which helped me connect ideas more clearly. It shows that looking closely at everyday things can make learning more fun and meaningful.

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