Os bunkers
- Luiz Inglês

- há 5 horas
- 3 min de leitura

Li outro dia, que existe um app que aponta os jatos de bilionários que estão no ar. Explico: todo bilionário que se preze, tem seu jato particular. Este app tem em seu cadastro os prefixos (ou matrículas das aeronaves) que funcionam como as placas de nossos automóveis.
Quando qualquer um destes jatões ou jatinhos partem de um aeroporto – em qualquer parte do mundo – devem comunicar às autoridades aeronáuticas do aeroporto sua movimentação.
A torre de controle é então informada e após uma pequena burocracia, dependendo do volume de voos daquele dia, a decolagem é autorizada dentro de um certo tempo. Esta comunicação é pública, por isso o app em questão, através de algoritmos programados, tem acesso a toda essa informação mundo afora.
E o que acontece? Digamos que o número normal de jatos se deslocando ao mesmo tempo, seja de 20%. São os big-shots voando para seus compromissos profissionais em algum Summit mundial, dirigindo-se para seus resorts em ilhas paradisíacas ou levando a família para conhecer um novo país do outro lado do globo.
Porém se este número se eleva rapidamente para um volume inexplicável e temos grande número de aeronaves no ar ao mesmo tempo, significa obviamente que algo surgiu no horizonte. Digamos novamente, por pura especulação, que de uma hora para outra, o número de aeronaves particulares de ricaços dispara de forma atípica e estejam no ar ao mesmo tempo, não deve ser boa notícia. Por quê?
Porque os ultrarricos têm acesso a informações privilegiadas e seriam os primeiros a fugir para locais seguros ou bunkers em casos de catástrofes globais como ataque nuclear, crises geopolíticas ou colapso civilizatório. E eles saberiam antes não por fazerem parte de uma conspiração, mas porque costumam estar mais próximos dos centros onde circulam informações estratégicas.
Este app faz parte de um sistema que monitora dados públicos de cerca de 11 mil jatos privados ao redor do mundo e os compara com padrões históricos. São captados sinais de rádio que transmitem, em tempo real, a posição, velocidade, rota, altitude, etc
É verdade que se trata de uma ferramenta de monitoramento que serve como termômetro e não tem validade científica comprovada. No entanto, o que me fez trazer este assunto é que a situação existe e já é possível.
Isto me faz pensar na incoerência do momento atual do planeta. Como moro na roça, junto à natureza, estas notícias me chegam como histórias de alhures, como diria meu pai. Seriam notícias de lugares distantes inconcebíveis e nem imagino como afetarão minha própria vida. Pois é, mas hoje em dia, a distância não é mais impedimento para nada.
A paz que convive diariamente comigo, a natureza impoluta, a água cristalina que desce rolando por entre as pedras o morro, vindo da nascente se renovando de oxigênio, o ar puro que alimenta tudo sem nenhuma toxicidade só trazendo vida, o silêncio interrompido apenas por sons naturais dos pássaros ou outras sonoridades vindas da mata que me entrega noites calmas e renovadoras.
A terra que me fornece alimento da horta como o planeta faz há milhões de anos. Este é o meu bunker onde pensei estar a salvo dos conflitos dos ignorantes raivosos. Eles vão se esconder da luz solar, num buraco a dezenas de metros abaixo do solo, com paredes de espessura incomensuráveis e tudo isso para sobreviver a um caos criado por eles mesmos.
Tudo criado pela ganância do poder. O alimento por maior que seja o celeiro ou depósito onde ficaram armazenados, acabará um dia, a água provavelmente estará totalmente poluída (vide dezenas de filmes apocalípticos), o tempo passará como sempre passa e quando saírem de seus bunkers, só encontrarão terra arrasada.
A Terra estará devagar se recuperando e estes ricaços, se vivos estiverem, não terão mais destino para sua riqueza.E para que fazer toda a civilização humana passar por tudo isto quando o bunker natural onde eu vivo já existe?
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